No alto de um abacateiro muito grande, nasceu uma corujinha. Essa coruja cresceu e envelheceu no mesmo abacateiro. Seu ninho era muito aconchegante e decorado de suas artes, pinturas, costuras e muita poesia.

A coruja era uma artista e também tinha outras habilidades, ela cantarolava muito bem e sua comida era muito boa. Com um único fruto do abacateiro, a coruja velhinha preparava vários pratos, vários sabores.

Além de artista, a coruja era muito criativa. De tudo ela sabia um pouco, e o que não sabia, aprendia. Mas havia uma coisa que a coruja nunca fez: voar. Ela não voava, de jeito nenhum, nem sequer bater as asas. Nem a maior tempestade que quase fez o abacateiro voar  fez a coruja mudar de ideia. Ela tinha muito, mas muito medo de voar.



E assim, dentro do seu ninho, a velhinha admirava o mundo pela janela. Ela se inspirava com tanta beleza, e tudo que alcançava a vista da janela transformava-se em pintura, costura e poesia.

Em especial, a vovó sempre admirava um lindo Ipê amarelo:

Ipê de beleza natural
Sua decoração delicada, floral
Coloração vibrante, tão alto astral
Seria um lar especial
Pena não ser o meu lar maternal


Em um belo dia de sol, a coruja acordou inspirada e resolveu fazer pudim. Enquanto preparava, a vovó coruja cantarolava em harmonia, quando percebeu um lindo canto que vinha de muito longe

Linda canção
Quanta afinação
Tocou meu coração
Que transbordou gratidão
Elevou minha vibração

Aquele canto era mesmo muito especial e deixou a coruja curiosa para saber que pássaro cantava tão bonito. Com tamanha admiração, a coruja fez um desejo:

“eu desejo de todo coração, conhecer a dona dessa canção”

E como todo desejo que é feito com muito amor se realiza, o da vovó coruja se realizou. A canção foi a envolvendo, e entre uma cantarolada e outra, seu corpo começou a se mexer:

Um passo pra lá, outro pra cá
Posso sentir, a alegria está no ar
Sinta também, venha, vamos dançar
Que vontade as asas têm de bater
Vou deixar me envolver
O amor faz o medo se dissolver
Preciso voar, pra poder viver!



Sua emoção era tão grande que a coruja voou, e nenhuma palavra poderia descrever o que ela sentia. Seguindo o som, foi cantarolando e voando até que chegou a uma grande montanha, e assim descobriu que a canção era a mesma que saía de seu bico. Mas como? o som da canção ecoava na montanha e voltava até seu ninho! Hahaha. Quando ela percebeu, deu um grande sorriso.




A sabedoria vem do coração
Com amor, senti a intuição
Que veio em forma de canção
Eu mesma me libertei
Da prisão que eu criei
O medo não existe
Só deixa a gente triste
Insiste, persiste, não desiste
No seu próprio coração
Está toda solução
Faça sempre uma oração
Agora fui libertada
E nos Ipês floridos deste mundo farei morada

E assim a coruja voou para sempre...


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