Uma grande família de formigas vivia entre as raízes de uma grande árvore no meio da floresta. Unidas e organizadas, elas trabalhavam dia e noite seguindo sua rotina diária. Um fato curioso é que, no meio dessa grande família, havia uma formiguinha diferente de todas as outras. Não fisicamente, pois suas anteninhas, perninhas e corpinho eram iguais à de todas de sua família. A diferença estava na forma como ela enxergava o mundo a sua volta.

        Para as outras formigas a única coisa que importava era sua casinha entre as raízes da árvore. Mas para aquela formiguinha especial não era só isso, pois acreditava que o quintal de sua casa ia muito além daquele formigueiro, que não tinha fim. Tudo que ela via fora da sua casinha também era seu lar, o mundo era sua casa e de todos os bichos que existiam. Todos viviam juntos numa mesma casa gigante. Isso era o máximo!

            Sabendo disso, a formiguinha cuidava de sua casa assim como cuidava de seu formigueiro. Sempre que encontrava algo fora do lugar, com carinho e paciência colocava em seu devido lugar. Antes de colher as folhas, plantava uma semente, e quando a semente brotava ela comemorava:



 – A Terra nos dá folhas e frutos, e eu agradeço com uma árvore! A Terra cuida de mim e é meu dever cuidar dela!




Certo dia, do alto de uma árvore, um Gafanhoto desocupado observava o movimento das formigas que trabalhavam sem parar, como em uma marcha de soldados. Mas algo chamou sua atenção: uma formiguinha parou no final da trilha!
        
Mais do que depressa o Gafanhoto pulou do alto da árvore e pousou ao lado da formiga que cavava um pequeno buraco no chão. O Gafanhoto preguiçoso pôs as patas na cintura e murmurou:
       
– Todos os dias vou a um formigueiro assistir seu ritmo de trabalho sonolento pra poder dormir um pouco. Você quebrou a regra das formigas. O que pensa que está fazendo fora da trilha?!
       
– Olá, estou apenas plantando uma semente... Pronto, terminei! - Respondeu a Formiguinha
– Uma formiga plantadeira? Nunca vi outra! - Disse o Gafanhoto franzindo a testa.
– Estou apenas retribuindo um grande favor. - Respondeu a formiga.
– Ora, quem aceitaria uma retribuição tão simples e boba como essa? - Perguntou o gafanhoto.
 – A senhora Terra. Estou retribuindo a ela o que ela nos deu. Ela cuida de mim, e eu cuido dela, simples assim. - Respondeu a formiga.
 – Diga-me, como uma formiga tão pequena pode cuidar de um planeta tão grande? Lá em cima da árvore consigo ver muito mais que você aqui em baixo tão pequenina. E te digo: a Terra é enorme! Essas suas sementinhas não farão diferença alguma! - Disse o Gafanhoto dando de ombros.
 A formiga apontou para a grande árvore onde estava o gafanhoto e disse:
         – Está vendo essa grande árvore? Um dia ela foi apenas uma pequena semente como esta. Pra você poder ver tão longe lá de cima, alguém teve de fazer um ato tão singelo como esse de plantar uma sementinha.
       

O gafanhoto ficou sem saber o que dizer, pois a formiga estava certa e ele nunca havia pensado nisso antes. Por fim, a formiguinha viu que sua família estava distante e se apressou:
        – O papo está bom, mas preciso ir, senhor gafanhoto, minha família precisa de mim. Tchau!
        O gafanhoto pensou “há milhares de formigas ali, como ela pode pensar que precisariam dela?”, mas em seguida lembrou-se da semente e da árvore, e mais que isso, pensou na floresta inteira. Dessa reflexão nasceu a compreensão.
        Hoje o gafanhoto planta suas próprias sementes por onde passa, fruto da semente que a pequena formiguinha plantou em seu coração.





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