O Leão sem Juba


O filhote leãozinho era muito querido, vivia rodeado de muitos amigos. Eram bichos de todas as espécies. Ajudava e protegia todos que estavam em perigo. Aprendeu cedo o que é certo e justo, não havia em toda a savana quem não o conhecia e não gostasse de tê-lo como amigo.

Esperava ansioso que sua juba crescesse e ficasse enorme. Imaginava-se como seu pai e avô, que tinham as maiores jubas de toda região. Mas o tempo foi passando, o leãozinho foi crescendo e nada de juba aparecer. Via seus amiguinhos pomposos com suas jubinhas, e nele nem um fiozinho. Tentou de tudo, de babosa a água de coco, mas não tinha jeito, sua juba não nascia e ele se sentia cada dia mais triste.


Apesar de ser muito querido na savana, o jovem leãozinho estava triste. O fato da sua juba não crescer o deixava muito inseguro. Conforme o tempo passava, mais triste e envergonhado ficava, imaginava que todos o olhavam de maneira estranha. Então decidiu deixar a savana para sempre e se esconder de todos.

Há dias sumido, a savana inteira sentiu sua falta. Todos os bichos começaram a procurá-lo, chamando seu nome por onde passavam: os macacos nas árvores, os jacarés nos lagos, os passarinhos no céu, e até debaixo da terra o tatu procurou, mas sem sucesso. A savana sem o leão não era mesma. Já havia cativado a todos com sua amizade, companheirismo e senso de justiça.

Certa noite de lua cheia, uma coruja que sobrevoava além dos limites da savana encontrou o tão querido leão, que se escondia em uma floresta escura.

- Leão, meu querido amigo, finalmente o encontrei! Vamos voltar, todos estão a sua procura. – Disse coruja aliviada.

- Olá, dona coruja. Não quero mais que me vejam. Sinto falta de todos, mas não quero que sejam amigos de um leão tão esquisito como eu. Pois um leão sem juba não é leão. Por isso peço que me deixe aqui sozinho e não conte a ninguém que me viu por aqui. - Respondeu a voz chorosa do jovem leão.

- Ora, não seja bobo, meu querido amigo. O que te faz um verdadeiro leão não é sua juba, mas seus valores, sua coragem para enfrentar o mal e vencer com o bem. – Disse a coruja.

- Mas como vou ter coragem de enfrentar o mal se não consigo enfrentar minha própria imagem refletida no lago?! Sou imperfeito, esquisito e estranho – Choramingou o pobre leão.

- Leão, meu amigo, ninguém é perfeito. Somos únicos. A aparência pouco importa o que vale mesmo é à pureza no coração. De que adianta querer ser bonito por fora e por dentro vazio de amor, de bondade e de compaixão? – Respondeu a coruja. 
Ao ouvir as palavras da coruja, o leão levantou seus ouvidos com atenção, e então a coruja continuou:

- Não se importe com sua juba. Não vê?! Há coisas mais importantes para você se resolver e não está fora, mas dentro de si mesmo. Insegurança, orgulho e a vaidade você deve combater. O leão que vence os outros é forte, mas o que vence a si mesmo é invencível. E você, meu jovem leão, é invencível.

Um brilho diferente reluziu nos olhos do jovem leão, que levantou suas patas e rugiu alto e correu em direção à savana. Entendeu que todo mundo tem sempre algo para aprender. Que pouco importa o que está do lado de fora, mas que o mais importante está dentro. O que faz o leão ser considerado o rei da selva não é sua juba, mas sua coragem, sua bondade e seus valores. 

Ao chegar à savana, todos os amigos vibraram com a volta do leão, que não tinha uma enorme juba, mas tinha um enorme coração.






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